קַבְעַן פְּלָנְיָא. לָא הֲוָה יָדַע מַאי קָאָמַר לֵיהּ. אֲתָא שְׁאֵיל בֵּי מִדְרְשָׁא, אֲמַר לֵיהּ: גַּזְלַן אֲמַר לָךְ, דִּכְתִיב: ״הֲיִקְבַּע אָדָם אֱלֹהִים וְגוֹ׳״. אֲמַר לֵיהּ רָבָא מִבַּרְנִישׁ לְרַב אָשֵׁי: אִי הֲוַאי הָתָם, הֲוָה אָמֵינָא לֵיהּ: הֵיכִי קַבְעָךְ? בְּמַאי קַבְעָךְ? וְאַמַּאי קַבְעָךְ? וּמִמֵּילָא הֲוָה יָדְעִינָא. וְאִיהוּ סָבַר: מִילְּתָא דְאִיסּוּרָא קָאָמַר לֵיהּ.
Fulano keva’a de mim. Levi não entendeu o que aquele homem lhe dizia, pois não conhecia o significado da palavra kava. Então foi e perguntou na casa de estudo. Disseram-lhe: Aquele homem lhe disse: Ele me roubou, como está escrito: “Roubará [hayikba] o homem a Deus?” (Malaquias 3:8). Rava de um lugar chamado Barnish disse a Rav Ashi: Se eu estivesse lá no lugar de Levi, eu teria tentado descobrir o significado da palavra de outra maneira, pois eu lhe teria dito: Como ele te keva’a? Com que ele te keva’a? E por que ele te keva’a? E por suas respostas eu teria entendido por mim mesmo o que estava sendo dito. A Guemará comenta: E Levi, que não fez isso, pensou que o homem estava falando de uma questão de proibição e não de uma questão monetária, e por isso fazer-lhe essas perguntas não teria ajudado, pois elas são relevantes apenas para questões monetárias.
לָא הֲווֹ יָדְעִי רַבָּנַן מַאי ״סֵירוּגִין״. שַׁמְעוּהָ לְאַמְּתָא דְבֵי רַבִּי דַּחֲזָתִנְהוּ רַבָּנַן דַּהֲווֹ עָיְילִי פִּסְקֵי פִּסְקֵי, אֲמַרָה לְהוּ: עַד מָתַי אַתֶּם נִכְנָסִין סֵירוּגִין סֵירוּגִין.
A Guemará continua sua discussão sobre palavras incomuns: Os Sábios não sabiam o significado da palavra seirugin, que aparece em uma mishná. Um dia, eles ouviram a serva na casa de Rabi Yehuda HaNasi dizer aos Sábios que ela viu entrando na casa não todos de uma vez, mas intermitentemente: Até quando vocês entrarão seirugin seirugin? e, com isso, entenderam que a palavra seirugin significa: em intervalos.
לָא הֲווֹ יָדְעִי רַבָּנַן מַאי ״חֲלוֹגְלוֹגוֹת״. יוֹמָא חַד שַׁמְעוּהָ לְאַמְּתָא דְבֵי רַבִּי דַּחֲזָית לְהָהוּא גַּבְרָא דְּקָא מְבַדַּר פַּרְפְּחִינֵיהּ, אֲמַרָה לֵיהּ: עַד מָתַי אַתָּה מְפַזֵּר חֲלוֹגְלוֹגְךָ.
Relata-se de modo semelhante que os Sábios não sabiam o significado da palavra ḥaloglogot, mencionada em várias mishnayot e baraitot. Certo dia, ouviram a serva na casa de Rabi Yehuda HaNasi dizer a um certo homem, que ela viu espalhando sua beldroega: Até quando ficarás espalhando tuas ḥaloglogot? Assim, entenderam que ḥaloglogot significa beldroega.
לָא הֲווֹ יָדְעִי רַבָּנַן מַאי: ״סַלְסְלֶהָ וּתְרוֹמְמֶךָּ״. יוֹמָא חַד שַׁמְעוּהָ לְאַמְּתָא דְבֵי רַבִּי דַּהֲווֹת אָמְרָה לְהָהוּא גַּבְרָא דַּהֲוָה קָא מְהַפֵּךְ בְּשַׂעְרֵיהּ, אָמְרָה לֵיהּ: עַד מָתַי אַתָּה מְסַלְסֵל בִּשְׂעָרְךָ.
Os Sábios também não sabiam o significado da palavra salseleha no versículo: “Salseleha e ela te exaltará” (Provérbios 4:8). Certo dia, ouviram a serva na casa de Rabi Yehuda HaNasi dizer a um certo homem que estava enrolando o cabelo: Até quando vais mesalsel o teu cabelo? E, a partir disso, entenderam que o versículo significa: Revolve a sabedoria, e ela te exaltará.
לָא הֲווֹ יָדְעִי רַבָּנַן מַאי ״וְטֵאטֵאתִיהָ בְּמַטְאֲטֵא הַשְׁמֵד״. יוֹמָא חַד שַׁמְעוּהָ לְאַמְּתָא דְבֵי רַבִּי דַּהֲווֹת אָמְרָה לַחֲבֶירְתַּהּ: שְׁקוּלִי טָאטִיתָא וְטַאטִי בֵּיתָא.
Relata-se ainda que os Sábios não conheciam o significado das palavras no versículo: “E a varrerei [vetetetiha] com a vassoura [matatei] da destruição” (Isaías 14:23). Certo dia, eles ouviram a serva na casa de Rabi Yehuda HaNasi dizer à sua companheira de trabalho: Pegue uma vassoura [tateita] e varra [ta’ati] a casa,” e então compreenderam o significado dessas palavras.
לָא הֲווֹ יָדְעִי רַבָּנַן מַאי ״הַשְׁלֵךְ עַל ה׳ יְהָבְךָ וְהוּא יְכַלְכְּלֶךָ״. אָמַר רַבָּה בַּר בַּר חָנָה: יוֹמָא חַד הֲוָה אָזְלִינָא בַּהֲדֵי הָהוּא טַיָּיעָא, הֲוָה דָּרֵינָא טוּנָא וַאֲמַר לִי: שְׁקוֹל יַהְבָּיךְ וּשְׁדִי אַגַּמְלַאי.
Os Sábios também não sabiam o significado da palavra yehavkha no versículo: “Lança teu fardo [yehavkha] sobre o Senhor, e Ele te sustentará” (Salmos 55:23). Rabba bar bar Ḥana disse: Certo dia eu estava viajando com um árabe [Tayya’a], e eu estava carregando uma carga, e ele me disse: Pega teu yehav e lança-o sobre o meu camelo, e disso entendi que yehav significa uma carga.
מַתְנִי׳ שׁוֹפָר שֶׁל רֹאשׁ הַשָּׁנָה שֶׁל יָעֵל פָּשׁוּט וּפִיו מְצוּפֶּה זָהָב, וּשְׁתֵּי חֲצוֹצְרוֹת מִן הַצְּדָדִין. שׁוֹפָר מַאֲרִיךְ וַחֲצוֹצְרוֹת מְקַצְּרוֹת, שֶׁמִּצְוַת הַיּוֹם בְּשׁוֹפָר.
MISHNÁ:O shofar que era usado em Rosh HaShana no Templo era feito do chifre reto de um íbex, e sua boca, a embocadura na qual se sopra, era revestida de ouro. E havia duas trombetas, uma em cada um dos dois lados da pessoa que tocava o shofar. O shofar emitia um toque longo, enquanto as trombetas emitiam um toque curto, porque a mitzvá do dia é com o shofar.
וּבְתַעֲנִיּוֹת בְּשֶׁל זְכָרִים כְּפוּפִין, וּפִיהֶן מְצוּפֶּה כֶּסֶף, וּשְׁתֵּי חֲצוֹצְרוֹת בָּאֶמְצַע. שׁוֹפָר מְקַצֵּר וַחֲצוֹצְרוֹת מַאֲרִיכוֹת, שֶׁמִּצְוַת הַיּוֹם בַּחֲצוֹצְרוֹת.
E, em contraste, os shofarot usados em dias públicos de jejum eram feitos dos chifres curvos de carneiros, e suas bocas eram revestidas de prata. Havia duas trombetas no meio entre os shofarot, e o shofar emitia um toque curto, enquanto as trombetas emitiam um toque longo, pois a mitzvá do dia é com as trombetas.
שָׁוֶה הַיּוֹבֵל לְרֹאשׁ הַשָּׁנָה לַתְּקִיעָה וְלַבְּרָכוֹת. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה תּוֹקְעִין בְּשֶׁל זְכָרִים וּבַיּוֹבְלוֹת בְּשֶׁל יְעֵלִים.
O Yom Kippur do Ano do Jubileu é o mesmo que Rosh HaShana no que diz respeito tanto aos toques do shofar que são soados quanto às bênçãos adicionais que são recitadas na oração da Amida. Rabi Yehuda discorda e diz: Há uma diferença entre os dois dias: Em Rosh HaShana toca-se com chifres de carneiros, ao passo que nos Anos de Jubileu toca-se com chifres de íbex.
גְּמָ׳ אָמַר רַבִּי לֵוִי: מִצְוָה שֶׁל רֹאשׁ הַשָּׁנָה וְשֶׁל יוֹם הַכִּפּוּרִים בִּכְפוּפִין, וְשֶׁל כׇּל הַשָּׁנָה בִּפְשׁוּטִין. וְהָתְנַן: שׁוֹפָר שֶׁל רֹאשׁ הַשָּׁנָה שֶׁל יָעֵל פָּשׁוּט! הוּא דְּאָמַר כִּי הַאי תַּנָּא דְּתַנְיָא, רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה הָיוּ תּוֹקְעִין בְּשֶׁל זְכָרִים כְּפוּפִין, וּבַיּוֹבְלוֹת בְּשֶׁל יְעֵלִים.
GEMARA:Rabi Levi disse: A mitzvá de Rosh HaShana e de Yom Kippur do Ano do Jubileu é tocar com shofarot curvos, e a do resto do ano, nos dias de jejum, é tocar com shofarot retos. A Guemará levanta uma dificuldade: Mas não aprendemos de modo diferente na mishná: O shofar que era usado em Rosh HaShana era feito do chifre reto de um íbex? A Guemará responde: Rabi Levi disse sua declaração de acordo com a opinião daquele tanna, Rabi Yehuda, como foi ensinado em uma baraita: Rabi Yehuda diz: Em Rosh HaShana eles tocavam com os curvos chifres de carneiros, e nos Dias de Expiação dos Anos do Jubileu com os chifres de íbexes.
וְלֵימָא הִלְכְתָא כְּרַבִּי יְהוּדָה! אִי אָמְרַתְּ הִלְכְתָא כְּרַבִּי יְהוּדָה, הֲוָה אָמֵינָא: אֲפִילּוּ שֶׁל יוֹבֵל נָמֵי כְּרַבִּי יְהוּדָה סְבִירָא לֵיהּ, קָא מַשְׁמַע לַן.
A Guemará pergunta: Se é assim, que simplesmente diga que a halakha está de acordo com a opinião de Rabi Yehuda. Por que foi necessário citar a baraita por completo, como se trouxesse uma informação nova? A Guemará explica: Se você tivesse dito que a halakha está de acordo com a opinião de Rabi Yehuda, eu teria dito que ele, Rabi Levi, sustenta de acordo com a opinião de Rabi Yehuda até mesmo com relação ao shofar usado no Ano do Jubileu, isto é, que se deve tocar com o chifre de íbex nessa ocasião. Portanto, a Guemará nos ensina que ele concorda com Rabi Yehuda apenas com relação a Rosh HaShana, e não com relação a qualquer outro assunto.
בְּמַאי קָמִיפַּלְגִי? מָר סָבַר: בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה — כַּמָּה דְּכָיֵיף אִינִישׁ דַּעְתֵּיהּ, טְפֵי מְעַלֵּי; וּבְיוֹם הַכִּפּוּרִים — כַּמָּה דְּפָשֵׁיט אִינִישׁ דַּעְתֵּיהּ, טְפֵי מְעַלֵּי. וּמָר סָבַר: בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה — כַּמָּה דְּפָשֵׁיט אִינִישׁ דַּעְתֵּיהּ, טְפֵי מְעַלֵּי; וּבְתַעֲנִיּוֹת — כַּמָּה דְּכָיֵיף אִינִישׁ דַּעְתֵּיהּ, טְפֵי מְעַלֵּי.
A Guemará pergunta: Com relação a qual princípio esses tana’im discordam? Um Sábio, Rabi Yehuda, sustenta que em Rosh HaShana, quanto mais a pessoa curva sua mente e se humilha ao se curvar na oração, melhor. Portanto, toca-se um shofar curvo como alusão às nossas mentes e corpos curvados. Mas em Yom Kippur, quanto mais a pessoa endireita sua mente e reza com simplicidade, melhor. Portanto, toca-se um shofar reto. O outro Sábio, o tanna anônimo da mishná, sustenta o oposto: Em Rosh HaShana, quanto mais a pessoa endireita sua mente e evita qualquer tortuosidade, melhor. Nos jejuns, por outro lado, quanto mais a pessoa curva sua mente e se humilha, melhor.