אִיבַּעְיָא לְהוּ: הַתּוֹרֵם מִשֶּׁלּוֹ עַל שֶׁל חֲבֵירוֹ, צָרִיךְ דַּעְתּוֹ אוֹ לָא? מִי אָמְרִינַן: כֵּיוָן דִּזְכוּת הוּא לוֹ, לֹא צָרִיךְ דַּעַת. אוֹ דִּלְמָא מִצְוָה דִּילֵיהּ הִיא, וְנִיחָא לֵיהּ לְמִיעְבְּדֵיהּ.
Foi levantado um dilema diante dos Sábios: No caso de alguém que separa terumá do que é seu em nome da produção de outro, ele necessita do conhecimento e do consentimento do proprietário da produção ou não? Diremos: Uma vez que isso é um benefício para o outro, ter sua produção dizimada, não requer seu conhecimento, pois pode-se agir no interesse de uma pessoa em sua ausência? Ou, talvez, é sua mitzvá, e é preferível que ele mesmo a cumpra, e, portanto, isso não o beneficia que a produção seja dizimada em seu nome.
תָּא שְׁמַע: תּוֹרֵם אֶת תְּרוּמוֹתָיו וְאֶת מַעְשְׂרוֹתָיו לְדַעְתּוֹ. בְּמַאי עָסְקִינַן? אִילֵימָא מִן בַּעַל הַכְּרִי עַל שֶׁל בַּעַל הַכְּרִי, וּלְדַעְתּוֹ דְּמַאן? אִילֵּימָא לְדַעְתּוֹ דִּילֵיהּ — מַאן שַׁוְּויֵהּ שָׁלִיחַ?
Vem e ouve uma prova da mishná: Para alguém de quem o benefício é proibido por voto, ele separa sua terumá e seus dízimos, desde que isso seja com seu conhecimento e consentimento. A Guemará analisa esta afirmação: Com o que estamos lidando? Se dissermos que ele separa terumá da produção do dono do monte para a produção do mesmo dono do monte, a pergunta é: E com o conhecimento e consentimento de quem ele pode fazer isso? Se dissermos que é com o conhecimento daquele que separa a produção, quem o designou como agente para fazer isso? Ninguém pode separar o dízimo da produção de outro, a menos que seja designado como agente.
אֶלָּא לְדַעְתּוֹ דְּבַעַל הַכְּרִי. הָא קָמְהַנֵּי לֵיהּ דְּקָעָבֵיד שְׁלִיחוּתֵיהּ! אֶלָּא מִשֶּׁלּוֹ עַל שֶׁל הַכְּרִי. וּלְדַעְתּוֹ דְּמַאן? אִילֵימָא לְדַעְתּוֹ דְּבַעַל הַכְּרִי — הָא קָמְהַנֵּי לֵיהּ! אֶלָּא לָאו, לְדַעְתֵּיהּ דְּנַפְשֵׁיהּ, וּמִשֶּׁלּוֹ תּוֹרֵם עַל שֶׁל חֲבֵירוֹ. וְאִי אָמְרַתְּ צָרִיךְ דַּעַת — הָא קָמְהַנֵּי לֵיהּ! אֶלָּא לָאו, אֵין צָרִיךְ דַּעַת.
Antes, deve ser que ele está separando o dízimo com o conhecimento do dono do monte. Contudo, nesse caso, ao separar o dízimo da produção, não está ele beneficiando o dono, já que está realizando o ato em cumprimento da agência do dono? Antes, deve ser que ele separa teruma de sua própria produção em nome da produção do dono do monte. A Guemará pergunta: E com o conhecimento e consentimento de quem ele faz isso? Se dissermos que é com o conhecimento do dono do monte, não está ele beneficiando o dono? Ele está realizando o ato em cumprimento da agência do dono. Antes, não é que ele está separando o dízimo com base em seu próprio conhecimento, e está separando de sua própria produção em nome da produção de outro? E se você disser que, para separar o dízimo de sua produção em nome da produção do dono, isso requer o conhecimento e consentimento do dono, não está ele beneficiando o dono? Antes, não é que se pode concluir daqui que, para separar o dízimo de sua produção em nome da produção de outro, não se requer o conhecimento e consentimento do dono do monte?
לְעוֹלָם מִשֶּׁל בַּעַל הַכְּרִי עַל בַּעַל הַכְּרִי, כִּדְאָמַר רָבָא: בְּאוֹמֵר ״כׇּל הָרוֹצֶה לִתְרוֹם יָבֹא וְיִתְרוֹם״, הָכָא נָמֵי בְּאוֹמֵר וְכוּ׳.
A Guemará rejeita essa conclusão. Na verdade, trata-se de um caso em que ele separa terumá da produção do dono da pilha para a produção do mesmo dono da pilha. No entanto, as circunstâncias aqui são paralelas às tratadas por Rava em outro contexto, como Rava disse que há um caso em que alguém diz: Qualquer um que queira vir e separar terumá pode vir e separar terumá. Também aqui, este é um caso em que alguém diz: Qualquer um que queira vir e separar terumá pode vir e separar terumá. Nesse caso, pode-se dizimar a produção de outra pessoa sem ser designado como seu agente.
בְּעָא מִינֵּיהּ רַבִּי יִרְמְיָה מֵרַבִּי זֵירָא: הַתּוֹרֵם מִשֶּׁלּוֹ עַל שֶׁל חֲבֵירוֹ, טוֹבַת הֲנָאָה שֶׁל מִי? מִי אָמְרִינַן: אִי לָאו פֵּירֵי דְּהַאיְךְ, מִי מִתַּקְּנָא כַּרְיָא דְּהָהוּא, אוֹ דִּלְמָא: אִי לָאו כַּרְיָא דְּהָהוּא, לָא הָוְיָין פֵּירֵי דְּהָדֵין תְּרוּמָה?
Rabi Yirmeya apresentou um dilema diante de Rabi Zeira: Em um caso em que alguém separa terumá de sua própria produção para a produção de outro, quem tem direito ao benefício discricionário, isto é, ao direito de dar a terumá ao sacerdote de sua escolha? Diremos: Se não fosse pela produção deste que separa a terumá, o monte daquele proprietário da produção estaria devidamente dizimado, e, portanto, aquele que separa a terumá tem direito ao benefício discricionário? Ou, talvez diremos: Se não fosse pelo monte daquele dono do monte, a produção deste que separa a terumá não seria terumá, e, portanto, o proprietário tem direito ao benefício discricionário.
אֲמַר לֵיהּ, אָמַר קְרָא: ״אֵת כׇּל תְּבוּאַת זַרְעֶךָ ... וְנָתַתָּ״.
Rabi Zeira disse-lhe que, conforme o versículo declara: “Separarás o dízimo de toda a produção da tua semente... e darás” (Deuteronômio 14:22, 26), isso indica que a discrição de dar a terumá ao sacerdote de sua escolha é prerrogativa daquele a quem pertence a pilha da produção.
אֵיתִיבֵיהּ: תּוֹרֵם אֶת תְּרוּמוֹתָיו וְאֶת מַעְשְׂרוֹתָיו לְדַעְתּוֹ. וְאִי אָמְרַתְּ טוֹבַת הֲנָאָה דְּבַעַל הַכְּרִי, הָא קָא מְהַנֵּי לֵיהּ! אֶלָּא שְׁמַע מִינַּהּ טוֹבַת הֲנָאָה דִּילֵיהּ. אָמְרִי: לֹא, מִשֶּׁל בַּעַל הַכְּרִי עַל שֶׁל בַּעַל הַכְּרִי, וּלְדַעְתּוֹ דְּבַעַל הַכְּרִי, בְּאוֹמֵר ״כֹּל הָרוֹצֶה לִתְרוֹם יָבֹא וְיִתְרוֹם״.
Rabi Yirmeya levantou uma objeção a Rabi Zeira a partir da mishná: Para alguém que está proibido por voto de receber benefício dele, ele separa sua teruma e seus dízimos, desde que isso seja feito com o conhecimento e o consentimento do dono da produção. E se você disser que o direito ao benefício discricionário pertence ao dono do monte, ao separar teruma para a produção dele, não estaria ele beneficiando o dono? Antes, conclua da mishná que o direito ao benefício discricionário pertence àquele que separa a teruma. Os Sábios dizem: Não, na verdade, isso poderia até ser um caso em que alguém separa terumada produção do dono do monte para a produção do dono do monte, e o faz com o conhecimento do dono do monte, que diz: Qualquer um que queira vir e separar teruma pode vir e separar teruma.
תָּא שְׁמַע, דְּאָמַר רַבִּי אֲבָהוּ אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: הַמַּקְדִּישׁ מוֹסִיף חוֹמֶשׁ, וּמִתְכַּפֵּר — עוֹשֶׂה תְּמוּרָה. וְהַתּוֹרֵם מִשֶּׁלּוֹ עַל שֶׁאֵינוֹ שֶׁלּוֹ — טוֹבַת הֲנָאָה שֶׁלּוֹ.
Vem e ouve uma resolução do dilema de Rabi Yirmeya, como disse Rabi Abbahu que Rabi Yoḥanan disse: Num caso em que alguém consagra um animal como oferta por outra pessoa e ele fica com defeito, somente aquele que o consagra acrescenta um quinto ao custo de resgatar o animal, e aquele que busca expiação por meio dessa oferta não o faz. E, uma vez que o corpo do animal pertence àquele que busca expiação por meio da oferta, somente ele torna um animal não sagrado, trocado pelo animal sagrado, consagrado como substituto. E, no caso de alguém que separa terumá do que é seu para produto que não é seu, o benefício discricionário é dele.
מְלַמְּדוֹ מִדְרָשׁ הֲלָכוֹת וְאַגָּדוֹת, אֲבָל לֹא יְלַמְּדֶנּוּ מִקְרָא. מִקְרָא מַאי טַעְמָא לֹא יְלַמְּדֶנּוּ — מִשּׁוּם דְּקָמְהַנֵּי לֵיהּ, מִדְרָשׁ נָמֵי קָמְהַנֵּי לֵיהּ! אָמַר שְׁמוּאֵל: בְּמָקוֹם שֶׁנּוֹטְלִין שָׂכָר עַל הַמִּקְרָא וְאֵין נוֹטְלִין שָׂכָר עַל הַמִּדְרָשׁ. מַאי פַּסְקָא?
§ Aprendemos na mishná que alguém ensina a uma pessoa que está proibida por voto de receber benefício dele midrash, halakhot e aggadot, mas não pode lhe ensinar Torah. A Guemará pergunta: Qual é a razão de ele não poder lhe ensinar Torah? É devido ao fato de que o mestre beneficia aquele para quem o benefício dele é proibido ao lhe ensinar Torah? Quando lhe ensina midrash, ele também o beneficia. Shmuel disse: A mishná está se referindo a um lugar onde se cobra pagamento por ensinar Torah e não se cobra pagamento por ensinar midrash. Ao lhe ensinar Torah, aquele para quem o benefício é proibido se beneficia do fato de não pagar. A Guemará pergunta: Por que a halakha foi declarada sem qualificação? Não há diferença fundamental aparente entre Torah e midrash. Por que a mishná se referiu especificamente a um caso em que se cobra pagamento pelo ensino de Torah?