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כּוּלֵּי עָלְמָא לָא פְּלִיגִי, כִּי פְּלִיגִי – בְּלֶחִי וְקוּקְרֵי.
todos concordam que, uma vez que são recipientes que retêm o peixe ou o animal que entra neles, por direito os animais capturados pertencem ao dono da armadilha. Quando discordam, é com relação a um anzol ou outras armadilhas [kokrei] que apenas capturam o peixe ou o animal, mas não são recipientes que o contenham. Nesses casos, há razão para dizer que o dono da armadilha não toma posse do animal capturado e, portanto, outra pessoa que o toma é culpada apenas de roubo por causa dos caminhos da paz.
מְצִיאַת חֵרֵשׁ, שׁוֹטֶה וְכוּ׳ רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר: גָּזֵל גָּמוּר: אָמַר רַב חִסְדָּא: גָּזֵל גָּמוּר מִדִּבְרֵיהֶם. לְמַאי נָפְקָא מִינַּהּ? לְהוֹצִיאוֹ בְּדַיָּינִין.
§ A mishná ensina: Tomar um item perdido encontrado por um surdo-mudo, um incapaz mental, ou um menor é considerado roubo por causa dos caminhos da paz. Rabi Yosei diz: É roubo em pleno sentido. Rav Ḥisda diz: Rabi Yosei quer dizer que é roubo em pleno sentido pela lei rabínica, mas não pela lei da Torah. A Guemará pergunta: Que diferença há entre roubo em pleno sentido pela lei rabínica e roubo por causa dos caminhos da paz? A Guemará responde: Se é roubo em pleno sentido pela lei rabínica, a vítima do roubo pode recuperar a propriedade do ladrão por meio de recurso aos juízes, isto é, o tribunal pode expropriá-la dele à força.
עָנִי הַמְנַקֵּף בְּרֹאשׁ הַזַּיִת, מַה שֶּׁתַּחְתָּיו וְכוּ׳: תָּנָא: אִם לִיקֵּט וְנָתַן בַּיָּד – הֲרֵי זֶה גָּזֵל גָּמוּר.
§ A mishná ensina que, se um pobre recolhe azeitonas no topo de uma oliveira e azeitonas caem no chão sob a árvore, então pegar aquelas azeitonas que estão debaixo dela é considerado roubo por causa dos caminhos da paz. Segundo Rabi Yosei, é roubo em pleno sentido. Um Sábio ensinou: Se o pobre reuniu as azeitonas e colocou elas em sua mão antes que caíssem no chão, isso é roubo em pleno sentido, porque o pobre já havia adquirido posse legal das azeitonas quando estavam em sua mão.
רַב כָּהֲנָא הֲוָה קָאָזֵיל לְהוּצָל, חַזְיֵיהּ לְהָהוּא גַּבְרָא דַּהֲוָה שָׁדֵי אוּפְיֵי וְקָא נָתְרָן תַּמְרֵי, אֲזַל קָא מְנַקֵּיט וְאָכֵיל. אֲמַר לֵיהּ: חֲזִי מָר דְּבִידַאי שְׁדֵיתִינְהוּ. אֲמַר לֵיהּ: מֵאַתְרֵיהּ דְּרַבִּי יֹאשִׁיָּה אַתָּה. קָרֵי עֲלֵיהּ: ״וְצַדִּיק יְסוֹד עוֹלָם״.
A Guemará relata que Rav Kahana estava certa vez caminhando para a cidade de Huzal quando viu um certo homem que estava atirando gravetos em uma palmeira e tâmaras estavam caindo no chão. Rav Kahana foi, recolheu algumas das tâmaras e comeu elas. Aquele homem disse a Rav Kahana: Veja, Mestre, que eu as derrubei com a minha mão, isto é, as tâmaras já estavam na minha mão, e portanto elas são legalmente minhas. Rav Kahana disse-lhe: Você é do lugar do Rabino Yoshiya, que era um grande Sábio na cidade de Huzal. Por essa razão, você tem conhecimento em halakha. Rav Kahana recitou o versículo sobre o Rabino Yoshiya: "E um homem justo é o fundamento do mundo" (Provérbios 10:25). Mesmo após sua morte, o Rabino Yoshiya deixou um fundamento para o mundo, pois sua cidade continuou a ser um centro de estudo da Torah.
אֵין מְמַחִין בְּיַד עֲנִיֵּי גוֹיִם בְּלֶקֶט בְּשִׁכְחָה וּבְפֵאָה, מִפְּנֵי דַּרְכֵי שָׁלוֹם: תָּנוּ רַבָּנַן: מְפַרְנְסִים עֲנִיֵּי גוֹיִם עִם עֲנִיֵּי יִשְׂרָאֵל, וּמְבַקְּרִין חוֹלֵי גוֹיִם עִם חוֹלֵי יִשְׂרָאֵל, וְקוֹבְרִין מֵתֵי גוֹיִם עִם מֵתֵי יִשְׂרָאֵל, מִפְּנֵי דַּרְכֵי שָׁלוֹם.
§ A mishná ensina: Não se protesta contra gentios pobres que vêm pegar respigas, feixes esquecidos e a produção no canto do campo, dada aos pobres [pe’a], embora sejam destinadas exclusivamente aos pobres judeus, por causa dos caminhos da paz. Da mesma forma, os Sábios ensinaram em uma baraita (Tosefta 5:4): Sustenta-se os gentios pobres junto com os judeus pobres, e visitam-se os gentios doentes junto com os judeus doentes, e enterram-se os gentios mortos junto com os judeus mortos. Tudo isso é feito por causa dos caminhos da paz, para promover relações pacíficas entre judeus e gentios.
מַתְנִי׳ מַשְׁאֶלֶת אִשָּׁה לַחֲבֶירְתָּהּ הַחֲשׁוּדָה עַל הַשְּׁבִיעִית – נָפָה, וּכְבָרָה, וְרֵיחַיִם, וְתַנּוּר. אֲבָל לֹא תָּבוֹר וְלֹא תִּטְחַן עִמָּהּ.
MISHNÁ:Uma mulher pode emprestar utensílios à sua amiga que é suspeita com relação a comer produtos que cresceram no ano sabático depois do momento em que tais produtos devem ser removidos da casa e já não podem mais ser comidos. Os utensílios que ela pode lhe emprestar incluem: uma joeira, uma peneira, um moinho e um forno. Emprestar tais utensílios não é considerado ajudar na prática de uma transgressão. Mas ela não pode selecionar o grão da palha nem moer trigo com ela, isto é, ela não pode assisti-la ativamente na prática de um pecado.
אֵשֶׁת חָבֵר מַשְׁאֶלֶת לְאֵשֶׁת עַם הָאָרֶץ – נָפָה וּכְבָרָה; וּבוֹרֶרֶת, וְטוֹחֶנֶת, וּמְרַקֶּדֶת עִמָּהּ; אֲבָל מִשֶּׁתָּטִיל אֶת הַמַּיִם – לֹא תִּגַּע עִמָּהּ, לְפִי שֶׁאֵין מַחְזִיקִין יְדֵי עוֹבְרֵי עֲבֵירָה. וְכוּלָּן לֹא אָמְרוּ, אֶלָּא מִפְּנֵי דַּרְכֵי שָׁלוֹם.
A esposa de um ḥaver, alguém dedicado à observância meticulosa das mitzvot, especialmente das halakhot de pureza ritual, teruma e dízimos, pode emprestar à esposa de um am ha’aretz, alguém que não é escrupuloso nessas áreas, uma joeira e uma peneira, e ela pode até mesmo selecionar, moer e peneirar com ela. Mas, uma vez que a esposa do am ha’aretzderrama água na farinha, tornando-a assim suscetível à impureza ritual, a esposa do ḥavernão pode tocar em coisa alguma com ela, porque não se deve ajudar aqueles que cometem transgressões. E todas as permissões mencionadas na mishná foram declaradas apenas por causa dos caminhos da paz.
וּמַחְזִיקִין יְדֵי גוֹיִם בַּשְּׁבִיעִית – אֲבָל לֹא יְדֵי יִשְׂרָאֵל; וְשׁוֹאֲלִין בִּשְׁלוֹמָן, מִפְּנֵי דַּרְכֵי שָׁלוֹם.
E pode-se ajudar os gentios que trabalham a terra durante o ano sabático, mas não se pode ajudar os judeus que fazem isso. Da mesma forma, pode-se dirigir saudações aos gentios por causa dos caminhos da paz.
גְּמָ׳ מַאי שְׁנָא רֵישָׁא, וּמַאי שְׁנָא סֵיפָא? אָמַר אַבָּיֵי: רוֹב עַמֵּי הָאָרֶץ מְעַשְּׂרִין הֵן.
GEMARA: A Gemara pergunta com relação às halakhot ensinadas na mishná: Qual é a diferença na primeira cláusula da mishná, que ensina que uma mulher não pode selecionar e moer grãos com uma mulher suspeita de comer produtos do Ano Sabático depois de isso ser proibido, e qual é a diferença na última cláusula, que ensina que é permitido à esposa de um ḥaver ajudar a esposa de um am ha’aretz em sua seleção e moagem? Abaye disse: A maioria dos amei ha’aretz separa os dízimos de sua produção, e portanto não há razão para tornar proibido ajudar a esposa de um am ha’aretz em seu trabalho, pois ela provavelmente está preparando um alimento permitido. Embora possa haver preocupação de que o alimento não tenha sido dizimado devido à minoria dos amei ha’aretz que não separam dízimos, essa preocupação é ignorada por causa dos caminhos da paz.
רָבָא אָמַר: הָכָא בְּעַם הָאָרֶץ דְּרַבִּי מֵאִיר, וְטוּמְאָה וְטׇהֳרָה דְּרַבָּנַן – דְּתַנְיָא: אֵיזֶהוּ עַם הָאָרֶץ? כֹּל שֶׁאֵינוֹ אוֹכֵל חוּלָּיו בְּטָהֳרָה, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: כֹּל שֶׁאֵינוֹ מְעַשֵּׂר פֵּירוֹתָיו.
Rava disse: Aqui a mishná trata do am ha’aretz conforme definido por Rabi Meir e da questão de impureza e pureza ritual pela lei rabínica. Não trata da questão de separar teruma e dízimos. Como foi ensinado em uma baraita (Tosefta, Avoda Zara 3:10): Quem é um am ha’aretz? Qualquer pessoa que não coma sua produção não sagrada em estado de pureza ritual; esta é a declaração de Rabi Meir. E os Rabinos dizem: Um am ha’aretz é qualquer pessoa que não separa o dízimo de sua produção. Uma vez que a mishná está se referindo ao tipo de am ha’aretz sobre o qual há a presunção de que ele separa o dízimo de sua produção, mas não come sua produção não sagrada em estado de pureza ritual, e à luz do fato de que comer produção não sagrada em estado de pureza ritual é estipulado pela lei rabínica, por causa dos caminhos da paz, os Sábios não proibiram a esposa de um ḥaver de ajudar a esposa de um am ha’aretz.
וְהָא מִדְּקָתָנֵי סֵיפָא: מִשֶּׁתָּטִיל אֶת הַמַּיִם לֹא תִּגַּע עִמָּהּ; מִכְּלָל דְּרֵישָׁא, לָאו בְּטוּמְאָה וְטׇהֳרָה עָסְקִינַן!
A Guemará levanta uma objeção: Mas do fato de que a cláusula final da mishná ensina: Uma vez que a esposa do am ha’aretzderrama água na farinha, a esposa do ḥavernão pode tocar em nada com ela, porque a água tornou a massa suscetível à impureza ritual, pode-se inferir que na primeira cláusula da mishná não estamos tratando de preocupação com as halakhot de impureza e pureza. Em vez disso, a preocupação diz respeito aos dízimos.
רֵישָׁא וְסֵיפָא בְּטוּמְאָה וְטׇהֳרָה; וְרֵישָׁא – בְּטוּמְאַת חוּלִּין, וְסֵיפָא – בְּטוּמְאַת חַלָּה.
A Guemará responde: Tanto na primeira cláusula quanto na última cláusula, a preocupação diz respeito à impureza e pureza. A diferença é que, na primeira cláusula, mesmo que o grão já tenha sido tornado suscetível à impureza, a preocupação é apenas com a impureza de produtos não sagrados. Tornar impuros produtos não sagrados não é proibido pela lei da Torah; é uma questão na qual os ḥaverim eram meticulosos. Mas, na última cláusula, a preocupação é a impureza da ḥalla, a porção que deve ser separada da massa e dada a um sacerdote. É no momento em que a água é adicionada à farinha que a obrigação de separar ḥalla da massa entra em vigor. Devido à ḥalla que será separada da massa, é proibido pela lei da Torah tornar a massa impura.
וּרְמִינְהוּ:
E a Guemará levanta uma contradição de outra baraita (Tosefta, Demai 4:29):

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