מַתְנִי׳ רֵאשִׁית הַגֵּז נוֹהֵג בָּאָרֶץ וּבְחוּצָה לָאָרֶץ, בִּפְנֵי הַבַּיִת וְשֶׁלֹּא בִּפְנֵי הַבַּיִת, בַּחוּלִּין אֲבָל לֹא בַּמּוּקְדָּשִׁים.
MISHNÁ: A mitzvá da primeira lã tosquiada que todo judeu deve dar ao sacerdote, conforme declarado no versículo: “E a primeira lã tosquiada do teu rebanho [tzonekha] lhe darás” (Deuteronômio 18:4), aplica-se tanto em Eretz Yisrael quanto fora de Eretz Yisrael, na presença do Templo e na ausência do Templo, e com relação a animais não consagrados. Mas não se aplica a animais sacrificiais.
חוֹמֶר בַּזְּרוֹעַ וּלְחָיַיִם וּבַקֵּבָה מֵרֵאשִׁית הַגֵּז – שֶׁהַזְּרוֹעַ וְהַלְּחָיַיִם וְהַקֵּבָה נוֹהֲגִין בַּבָּקָר וּבַצֹּאן, בִּמְרוּבֶּה וּבְמוּעָט, וְרֵאשִׁית הַגֵּז אֵינוֹ נוֹהֵג אֶלָּא בִּרְחֵלוֹת, וְאֵינוֹ נוֹהֵג אֶלָּא בִּמְרוּבֶּה.
Há elementos mais rigorosos na mitzvá da espádua, da mandíbula e do estômago (ver 130a) do que na halakha da primeira tosquia da lã, pois a mitzvá da espádua, da mandíbula e do estômago se aplica ao gado e às ovelhas, como está escrito: “Seja boi ou ovelha, ele dará ao sacerdote a espádua, a mandíbula e o estômago” (Deuteronômio 18:3); e ela se aplica a numerosos animais e a poucos animais. Mas, em contraste, a mitzvá da primeira tosquia da lã se aplica apenas às ovelhas e não às cabras e ao gado, e se aplica apenas a numerosos animais.
וְכַמָּה הוּא מְרוּבֶּה, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים: שְׁתֵּי רְחֵלוֹת, שֶׁנֶּאֱמַר: ״יְחַיֶּה אִישׁ עֶגְלַת בָּקָר וּשְׁתֵּי צֹאן״, וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים: חָמֵשׁ, שֶׁנֶּאֱמַר: ״חָמֵשׁ צֹאן עֲשׂוּיוֹת״.
E quantas são consideradas numerosas? Beit Shammai dizem: São pelo menos duas ovelhas, como está declarado: “Que um homem criará uma novilha e duas ovelhas [tzon]” (Isaías 7:21), indicando que duas ovelhas são caracterizadas como tzon; e a mitzvá da primeira lã tosquiada está escrita usando o termo “teu rebanho [tzonekha].” E Beit Hillel dizem: São pelo menos cinco ovelhas, como está declarado: “E fez cinco ovelhas [tzon]” (I Samuel 25:18).
רַבִּי דּוֹסָא בֶּן הַרְכִּינָס אוֹמֵר: חָמֵשׁ רְחֵלוֹת גּוֹזְזוֹת מָנֶה מָנֶה וּפְרָס חַיָּיבוֹת בְּרֵאשִׁית הַגֵּז, וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: חָמֵשׁ רְחֵלוֹת גּוֹזְזוֹת כׇּל שֶׁהֵן.
Rabi Dosa ben Harkinas diz: Ao tosquiar cinco ovelhas, sendo que a lã tosquiada de cada ovelha pesa cem dinares cada, e mais metade [peras] de cem dinares cada, isto é, cento e cinquenta dinares cada, elas estão sujeitas à obrigação da primeira lã tosquiada, isto é, tornam o proprietário obrigado a dar a primeira lã tosquiada aos sacerdotes. E os Rabinos dizem: Quaisquer cinco ovelhas, cuja lã tosquiada de cada uma pese qualquer quantidade, tornam o proprietário obrigado na mitzvá.
וְכַמָּה נוֹתְנִין לוֹ? מִשְׁקַל חֲמֵשׁ סְלָעִים בִּיהוּדָה, שֶׁהֵן עֶשֶׂר סְלָעִים בַּגָּלִיל, מְלוּבָּן וְלֹא צוֹאִי, כְּדֵי לַעֲשׂוֹת מִמֶּנּוּ בֶּגֶד קָטָן, שֶׁנֶּאֱמַר ״תִּתֵּן לוֹ״, שֶׁיְּהֵא בּוֹ כְּדֵי מַתָּנָה.
E quanto da lã tosquiada se dá ao sacerdote? Dá-se a ele lã tosquiada do peso de cinco sela na Judeia, que são o equivalente a dez sela na Galileia, pois o peso do sela galileu é metade do sela judeu. Além disso, embora se possa dar a lã ao sacerdote sem lavá-la, esse deve ser o peso da lã depois de lavada e não quando está suja, como é característico da lã quando é tosquiada. A medida que deve ser dada ao sacerdote é suficiente para fazer dela uma pequena veste, como está declarado: “Lhe darás” (Deuteronômio 18:4), indicando que a lã tosquiada deve conter o suficiente para uma dádiva apropriada.
לֹא הִסְפִּיק לִיתְּנוֹ לוֹ עַד שֶׁצְּבָעוֹ – פָּטוּר, לִבְּנוֹ וְלֹא צְבָעוֹ – חַיָּיב.
Se o proprietário da tosquia não conseguiu dá-la ao sacerdote até tingi-la, o proprietário está isento da mitzvá da primeira lã tosquiada, pois isso constitui uma mudança na lã por meio da qual ele adquire sua posse. Se ele a lavou, mas não a tingiu, ele está obrigado a dar a primeira lã tosquiada, pois a lavagem não constitui uma mudança na lã.
הַלּוֹקֵחַ גֵּז צֹאנוֹ שֶׁל גּוֹי – פָּטוּר מֵרֵאשִׁית הַגֵּז. הַלּוֹקֵחַ גֵּז צֹאנוֹ שֶׁל חֲבֵירוֹ, אִם שִׁיֵּיר – הַמּוֹכֵר חַיָּיב, לֹא שִׁיֵּיר – הַלּוֹקֵחַ חַיָּיב. הָיוּ לוֹ שְׁנֵי מִינִים, שְׁחוּפוֹת וּלְבָנוֹת, מָכַר לוֹ שְׁחוּפוֹת אֲבָל לֹא לְבָנוֹת, זְכָרִים אֲבָל לֹא נְקֵבוֹת – זֶה נוֹתֵן לְעַצְמוֹ וְזֶה נוֹתֵן לְעַצְמוֹ.
Aquele que compra o velo das ovelhas de um gentio está isento da obrigação de dar a primeira lã da tosquia ao sacerdote. Quanto a quem compra o velo das ovelhas de outro judeu, se o vendedor reteve parte da lã, então o vendedor é obrigado a dar a primeira lã da tosquia ao sacerdote. Se o vendedor não reteve nada da lã, o comprador é obrigado a dá-la. Se o vendedor tinha dois tipos de ovelhas, cinzentas e brancas, e vendeu ao comprador o velo das cinzentas mas não o velo das brancas, ou se vendeu o velo dos machos mas não o das fêmeas, então este, o vendedor, dá a primeira lã da tosquia por si mesmo ao sacerdote da lã que reteve, e aquele, o comprador, dá a primeira lã da tosquia por si mesmo ao sacerdote da lã que comprou.
גְּמָ׳ בְּמוּקְדָּשִׁין, מַאי טַעְמָא לָא? אָמַר קְרָא ״צֹאנְךָ״, וְלֹא צֹאן הֶקְדֵּשׁ.
GEMARA: A mishná afirma que a mitzvá da primeira lã tosquiada não se aplica a animais sacrificiais. A Guemará pergunta: Qual é a razão pela qual ela não se aplica? A Guemará responde que o versículo declara: “Teu rebanho” (Deuteronômio 18:4), indicando que a mitzvá se aplica a animais não sagrados, que pertencem a um indivíduo particular, e não a um rebanho que é propriedade consagrada.
טַעְמָא דִּכְתַב רַחֲמָנָא ״צֹאנְךָ״, הָא לָאו הָכִי הֲוָה אָמֵינָא קָדָשִׁים חַיָּיבִים בְּרֵאשִׁית הַגֵּז? הָא לָאו בְּנֵי גִיזָּה נִינְהוּ, דִּכְתִיב ״וְלֹא תָגֹז בְּכוֹר צֹאנֶךָ״!
A Guemará questiona: A razão para a isenção dos animais sacrificiais é que o Misericordioso escreve “teu rebanho”, do que se pode inferir que, não fosse isso, eu diria que mesmo com relação a animais sacrificiais a pessoa está obrigada na mitzvá da primeira lã tosquiada. Mas essa sugestão é impossível, pois eles não são aptos para a tosquia, como está escrito com relação aos animais primogênitos, que são consagrados: “E não tosquiarás o primogênito do teu rebanho” (Deuteronômio 15:19).
אִי בְּקׇדְשֵׁי מִזְבֵּחַ, הָכִי נָמֵי. הָכָא בְּמַאי עָסְקִינַן – בְּקׇדְשֵׁי בֶּדֶק הַבַּיִת.
A Guemará explica: Se a mishná estivesse se referindo a ovelhas consagradas para o altar, de fato não haveria necessidade de derivar sua isenção do versículo. Mas aqui estamos tratando de ovelhas consagradas ao tesouro para a manutenção do Templo, que é permitido tosquiar, e o versículo ensina que mesmo com relação a estas a pessoa está isenta da mitzvá da primeira lã tosquiada.
וְהָאָמַר רַבִּי אֶלְעָזָר: קׇדְשֵׁי בֶּדֶק הַבַּיִת אֲסוּרִים בְּגִיזָּה וַעֲבוֹדָה! מִדְּרַבָּנַן. סָלְקָא דַּעְתָּךְ אָמֵינָא: הוֹאִיל וּמִדְּאוֹרָיְיתָא בְּנֵי גִיזָּה נִינְהוּ, הֵיכָא דִּגְזַז לֵיהּ – לִיתֵּיב לֵיהּ.
A Guemará pergunta: Mas Rabi Elazar não disse, com relação a animais consagrados para a manutenção do Templo, que é proibido tosquiá-los ou trabalhar com eles? A Guemará responde: A proibição com relação a animais consagrados para a manutenção do Templo se aplica por lei rabínica, e não pela lei da Torah. Portanto, poder-se-ia pensar que, uma vez que pela Torah eles são aptos para a tosquia, num caso em que alguém transgrediu a proibição rabínica e tosquiou as ovelhas consagradas, ele deveria dar a primeira lã tosquiada ao sacerdote. Consequentemente, o versículo ensina que ele está isento da mitzvá da primeira lã tosquiada.
וְהָא קַדֵּישׁ לַהּ! סָלְקָא דַּעְתָּךְ אָמֵינָא: לִפְרוֹק וְלִיתֵּיב לֵיהּ.
A Guemará objeta: Mas, uma vez que ele consagrou a lã, ela é propriedade consagrada e, portanto, na prática não pode ser dada a um sacerdote. Consequentemente, não há necessidade de derivar sua isenção do versículo. A Guemará explica: Poderia passar pela sua mente dizer que o proprietário é obrigado a resgatar a lã, dando seu valor ao tesouro do Templo e então dá-la ao sacerdote.
וְהָא בָּעֵי הַעֲמָדָה וְהַעֲרָכָה! הָנִיחָא לְמַאן דְּאָמַר קׇדְשֵׁי בֶּדֶק הַבַּיִת לֹא הָיוּ בִּכְלַל הַעֲמָדָה וְהַעֲרָכָה, אֶלָּא לְמַאן דְּאָמַר הָיוּ, מַאי אִיכָּא לְמֵימַר?
A Guemará objeta: Mas, quando um animal é resgatado, ele requer apresentação e avaliação, como está escrito: “E ele colocará o animal diante do sacerdote, e o sacerdote o avaliará, seja bom ou mau; conforme o sacerdote o avaliar, assim será” (Levítico 27:11–12). Uma vez que a lã foi tosquiada, esse processo não pode ser realizado, o que significa que a lã não pode ser resgatada. A Guemará comenta: Isso funciona bem de acordo com aquele que disse que os animais consagrados para a manutenção do Templo não estavam incluídos na exigência de apresentação e avaliação. Mas de acordo com aquele que disse que eles estavam incluídos nessa exigência, o que se pode dizer?
אָמַר רַבִּי מָנִי בַּר פַּטִּישׁ מִשּׁוּם רַבִּי יַנַּאי: הָכָא בְּמַקְדִּישׁ בְּהֶמְתּוֹ לְבֶדֶק הַבַּיִת חוּץ מִגִּיזּוֹתֶיהָ. סָלְקָא דַּעְתָּךְ אָמֵינָא: לִיגְזוֹז וְלִיתֵּיב לֵיהּ, אָמַר קְרָא ״צֹאנְךָ״, וְלֹא צֹאן שֶׁל הֶקְדֵּשׁ.
Rabi Mani bar Pattish disse em nome de Rabi Yannai: A declaração aqui na mishná está se referindo a um caso em que alguém consagrou o restante de seu animal para a manutenção do Templo, exceto sua lã, que reservou para si. Como o proprietário não consagrou a lã, poderia passar pela sua mente dizer: Que ele tosquie a ovelha e fique obrigado a dar a lã ao sacerdote. Portanto, o versículo declara: “Seu rebanho”, indicando que a mitzvá se aplica a animais não sagrados, que pertencem a um indivíduo, e não a ovelhas que são propriedade consagrada.
אִי הָכִי, קׇדְשֵׁי מִזְבֵּחַ נָמֵי! כָּחֲשִׁי.
A Guemará levanta uma dificuldade: Se assim for, que a mishná está discutindo um caso em que alguém consagrou um animal exceto por sua lã, poder-se-ia dizer que ela também está se referindo a animais consagrados para o altar. A Guemará responde: A mishná não pode estar discutindo animais consagrados para o altar, pois é proibido tosquiá-los mesmo que sua lã não tenha sido consagrada. A razão é que isso faz com que o animal fique enfraquecido, o que implica uma perda de propriedade consagrada.
קׇדְשֵׁי בֶּדֶק הַבַּיִת נָמֵי כָּחֲשִׁי! דְּאָמַר: חוּץ מִגִּיזָּה וּכְחִישָׁה.
A Guemará objeta: Mas animais consagrados para a manutenção do Templo também são enfraquecidos pela tosquia, e portanto deveria ser proibido tosquiá-los também. A Guemará explica: A mishná está se referindo a um caso em que alguém disse que consagra seu animal para a manutenção do Templo exceto por tanto sua lã quanto seu enfraquecimento, isto é, a perda de força causada pela tosquia.
קׇדְשֵׁי מִזְבֵּחַ נָמֵי! דְּאָמַר: חוּץ מִגִּיזָּה וּכְחִישָׁה, אֲפִילּוּ הָכִי פָּשְׁטָה קְדוּשָּׁה בְּכוּלַּהּ.
A Guemará levanta outra objeção: a mishná poderia também estar se referindo a animais consagrados para o altar em um caso em que alguém disse que consagra o animal exceto por tanto sua lã quanto o enfraquecimento, isto é, a perda de força causada pela tosquia. A Guemará explica: Com relação a animais consagrados para o altar, essa estipulação é ineficaz, pois ainda assim, isto é, apesar de sua declaração, a santidade se estende ao animal inteiro, e portanto é proibido tosquiá-lo.
וּמְנָא תֵּימְרָא, דְּאָמַר רַבִּי יוֹסֵי: וַהֲלֹא בְּמוּקְדָּשִׁין, הָאוֹמֵר ״רַגְלָהּ שֶׁל זוֹ עוֹלָה״ – כּוּלָּהּ עוֹלָה. וַאֲפִילּוּ לְרַבִּי מֵאִיר דְּאָמַר אֵין כּוּלָּהּ עוֹלָה, הָנֵי מִילֵּי דְּאַקְדֵּישׁ דָּבָר שֶׁאֵין הַנְּשָׁמָה תְּלוּיָה בּוֹ, אֲבָל הִקְדִּישׁ דָּבָר שֶׁהַנְּשָׁמָה תְּלוּיָה בּוֹ – קָדְשָׁה.
A Guemará explica: E de onde você diz que, se alguém consagra um animal para o altar, a santidade se estende a todo o animal? Isso é como disse Rabi Yosei: Não é esta a halakhá com relação aos animais de sacrifício, que, se alguém diz: A perna deste animal está consagrada como holocausto, então o animal inteiro é holocausto, pois a santidade da perna se espalha por todo o corpo do animal? E mesmo de acordo com a opinião de Rabi Meir, de que ele não é inteiramente um holocausto, essa afirmação de Rabi Meir se aplica apenas quando ele consagrou sua perna, que não é algo, isto é, um membro, do qual a vida do animal depende. É possível que um animal sobreviva à remoção de uma perna. Mas, se alguém consagrou algo do qual a vida do animal depende, todos concordam que ele é consagrado por inteiro.
רָבָא אָמַר: בְּמַקְדִּישׁ גִּיזָּה עַצְמָהּ, סָלְקָא דַּעְתָּךְ אָמֵינָא: לִיגְזוֹז וְלִיפְרוֹק וְלִיתֵּיב לֵיהּ,
§ Rava disse que não há necessidade de interpretar a mishná como tratando de um caso em que alguém consagrou um animal inteiro, exceto sua lã e a perda causada pela tosquia. Em vez disso, a mishná está se referindo àquele que consagra a própria lã ao tesouro para a manutenção do Templo, mas não a ovelha. Poderia passar pela sua mente dizer: Que ele tosa a ovelha e resgate a lã dando seu valor ao tesouro do Templo, e então seja obrigado a dar a lã ao sacerdote.
אָמַר קְרָא: ״גֵּז צֹאנְךָ תִּתֶּן לוֹ״, מִי שֶׁאֵין מְחוּסָּר אֶלָּא גְּזִיזָה וּנְתִינָה, יָצָא זֶה שֶׁמְחוּסָּר גְּזִיזָה פְּדִיָּיה וּנְתִינָה.
Portanto, o versículo declara: “A primeira lã tosquiada do teu rebanho lhe darás” (Deuteronômio 18:4), o que indica que não deve haver nenhuma ação adicional entre a tosquia e a entrega da primeira lã tosquiada ao sacerdote. Em outras palavras, a mitzvá da primeira lã tosquiada aplica-se a uma ovelha à qual faltam apenas a tosquia e a entrega, o que exclui esta ovelha à qual faltam a tosquia, o resgate e a entrega.
אֶלָּא ״צֹאנְךָ״ לְמַאי אֲתָא? לְכִדְתַנְיָא: בֶּהֱמַת הַשּׁוּתָּפִים חַיָּיב בְּרֵאשִׁית הַגֵּז, וְרַבִּי אִלְעַאי פּוֹטֵר. מַאי טַעְמָא דְּרַבִּי אִלְעַאי? אָמַר קְרָא ״צֹאנְךָ״, וְלֹא שֶׁל שׁוּתָּפוּת.
A Guemará pergunta: Mas, se este versículo é a fonte da isenção dos animais consagrados, então para que vem a expressão “teu rebanho”? Essa expressão também indica que certas ovelhas são excluídas da mitzvá. A Guemará responde que ela é necessária para aquilo que é ensinado em uma baraita: Um animal pertencente a dois sócios é obrigado, isto é, torna seus donos obrigados, na mitzvá da primeira tosquia da lã, mas o rabino Ilai os isenta. Qual é a razão da decisão do rabino Ilai? A razão é que o versículo declara “teu rebanho”, usando o pronome no singular, indicando que a mitzvá se aplica a animais pertencentes a um indivíduo, mas não a ovelhas que são possuídas em sociedade.
וְרַבָּנַן, לְמַעוֹטֵי שׁוּתָּפוּת גּוֹי. וְרַבִּי אִלְעַאי, שׁוּתָּפוּת גּוֹי מְנָא לֵיהּ?
A Guemará pergunta: Mas de acordo com os Rabinos, que sustentam que coproprietários de ovelhas são obrigados na mitzvá da primeira lã tosquiada, o que é excluído pela expressão “teu rebanho”? A Guemará responde que isso vem para excluir um animal possuído em parceria com um gentio. A Guemará pergunta: E de onde Rabi Ilai deriva que um animal possuído em parceria com um gentio isenta seu proprietário judeu da mitzvá?
נָפְקָא לֵיהּ מֵרֵישָׁא דִּקְרָא, ״רֵאשִׁית דְּגָנְךָ״, וְלֹא שׁוּתָּפוּת גּוֹי.
A Guemará responde: Ele deriva isso do início deste versículo, que declara com relação à terumá: "As primícias do teu grão, do teu vinho e do teu azeite" (Deuteronômio 18:4), usando o pronome no singular. Isso indica que somente no caso de produtos pertencentes a um judeu há obrigação de separar terumá, mas não com relação àquilo que é possuído em parceria com um gentio.
וְרַבָּנַן, ״רֵאשִׁית״ (הַגֵּז) הִפְסִיק הָעִנְיָן.
A Guemará pergunta: E por que os Rabis, que derivam a isenção de ovelhas possuídas em parceria com um gentio da expressão “teu rebanho”, não derivam isso da expressão “teu grão”? A Guemará responde que a repetição do termo “a primeira” com relação à primeira lã tosquiada: “As primícias do teu grão, do teu vinho e do teu azeite, e a primeira lã tosquiada do teu rebanho, lhe darás” (Deuteronômio 18:4), é uma indicação de que o versículo concluiu a discussão do assunto anterior. A menção supérflua de “primeira” sinaliza que os dois temas discutidos neste versículo, que são as primícias, isto é, terumá, e a primeira lã tosquiada, são dois assuntos separados. Portanto, não se pode derivar as halakhot de um a partir do outro.
וְרַבִּי אִלְעַאי: וָי״ו הֲדַר עָרְבֵיהּ.
A Guemará pergunta: E como Rabi Ilai responde à alegação dos Rabinos? A Guemará responde: Rabi Ilai sustenta que, quando o versículo declara: “E a primeira lã tosquiada”, a conjunção “e” retoma e combina os dois assuntos juntos.