מַתְנִי׳ הָרוֹאֶה מָקוֹם שֶׁנַּעֲשׂוּ בּוֹ נִסִּים לְיִשְׂרָאֵל, אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … שֶׁעָשָׂה נִסִּים לַאֲבוֹתֵינוּ בַּמָּקוֹם הַזֶּה״. מָקוֹם שֶׁנֶּעֶקְרָה מִמֶּנּוּ עֲבוֹדָה זָרָה, אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … שֶׁעָקַר עֲבוֹדָה זָרָה מֵאַרְצֵנוּ״.
Esta mishná, que inclui todas as mishnayot deste capítulo, contém uma série de bênçãos e halakhot que não são recitadas em momentos específicos, mas sim em resposta a várias experiências e acontecimentos.
MISHNÁ:Aquele que vê um lugar onde ocorreram milagres em favor de Israel recita: Bendito…Aquele que realizou milagres para nossos antepassados neste lugar. Aquele que vê um lugar de onde a idolatria foi erradicada recita: Bendito…Aquele que erradicou a idolatria de nossa terra.
עַל הַזִּיקִין, וְעַל הַזְּוָעוֹת, וְעַל הָרְעָמִים, וְעַל הָרוּחוֹת, וְעַל הַבְּרָקִים אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … שֶׁכֹּחוֹ וּגְבוּרָתוֹ מָלֵא עוֹלָם״. עַל הֶהָרִים, וְעַל הַגְּבָעוֹת, וְעַל הַיַּמִּים, וְעַל הַנְּהָרוֹת, וְעַל הַמִּדְבָּרוֹת אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … עוֹשֵׂה בְּרֵאשִׁית״. רַבִּי יְהוּדָה, אוֹמֵר: הָרוֹאֶה אֶת הַיָּם הַגָּדוֹל, אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ שֶׁעָשָׂה אֶת הַיָּם הַגָּדוֹל״ — בִּזְמַן שֶׁרוֹאֵהוּ לִפְרָקִים.
Quem vê ocorrências naturais conspícuas recita uma bênção. Por zikin e zeva’ot, que a Guemará discutirá abaixo, por trovão, ventos com força de vendaval e relâmpago, manifestações do poder do Criador, recita-se: Bendito… cujo vigor e poder enchem o mundo. Por montanhas, colinas, mares, rios e desertos extraordinários (Rambam), recita-se: Bendito… Autor da criação. De acordo com sua opinião de que uma bênção separada deve ser instituída para cada espécie individual, Rabi Yehuda diz: Quem vê o grande mar recita uma bênção especial: Bendito… que fez o grande mar. Como em todas as bênçãos desse tipo, recita-se apenas quando ele vê o mar intermitentemente, e não de forma regular.
עַל הַגְּשָׁמִים, וְעַל בְּשׂוֹרוֹת טוֹבוֹת אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ הַטּוֹב וְהַמֵּטִיב״. עַל בְּשׂוֹרוֹת רָעוֹת אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ דַּיַּין הָאֱמֶת״. בָּנָה בַּיִת חָדָשׁ, וְקָנָה כֵּלִים חֲדָשִׁים, אוֹמֵר: ״בָּרוּךְ … שֶׁהֶחֱיָינוּ וְקִיְּימָנוּ וְהִגִּיעָנוּ לַזְּמַן הַזֶּה״. מְבָרֵךְ עַל הָרָעָה מֵעֵין עַל הַטּוֹבָה, וְעַל הַטּוֹבָה מֵעֵין עַל הָרָעָה.
Pela chuva e outras boas notícias, recita-se a bênção especial: Bendito… Que é bom e faz o bem. Mesmo por más notícias, recita-se uma bênção especial: Bendito… o verdadeiro Juiz. Da mesma forma, quando alguém construiu uma casa nova ou comprou utensílios novos, recita: Bendito… Que nos deu vida, nos sustentou e nos trouxe até este tempo. A mishná articula um princípio geral: Recita-se uma bênção pelo mal que lhe acontece assim como se faz pelo bem. Em outras palavras, recita-se a bênção apropriada pela aflição que ele está vivenciando no presente, apesar do fato de que ela possa ocultar algum elemento positivo no futuro. Da mesma forma, deve-se recitar uma bênção pelo bem que lhe acontece assim como pelo mal.
וְהַצּוֹעֵק לְשֶׁעָבַר — הֲרֵי זוֹ תְּפִלַּת שָׁוְא. הָיְתָה אִשְׁתּוֹ מְעוּבֶּרֶת, וְאוֹמֵר: ״יְהִי רָצוֹן שֶׁתֵּלֵד אִשְׁתִּי זָכָר״ — הֲרֵי זוֹ תְּפִלַּת שָׁוְא. הָיָה בָּא בַּדֶּרֶךְ וְשָׁמַע קוֹל צְוָחָה בָּעִיר, וְאוֹמֵר: ״יְהִי רָצוֹן שֶׁלֹּא תְּהֵא בְּתוֹךְ בֵּיתִי״ — הֲרֵי זוֹ תְּפִלַּת שָׁוְא.
A mishná declara: E aquele que clama sobre o passado na tentativa de mudar aquilo que já ocorreu, é uma oração em vão. Por exemplo, aquele cuja esposa estava grávida e ele diz: Que seja da vontade de Deus que minha esposa dê à luz um menino, é uma oração em vão. Ou aquele que estava caminhando pelo caminho para casa e ouviu o som de um grito na cidade, e diz: Que seja da vontade de Deus que esse grito não venha da minha casa, é uma oração em vão. Em ambos os casos, o evento já ocorreu.
הַנִּכְנָס לִכְרַךְ מִתְפַּלֵּל שְׁתַּיִם, אַחַת בִּכְנִיסָתוֹ, וְאַחַת בִּיצִיאָתוֹ. בֶּן עַזַּאי אוֹמֵר: אַרְבַּע, שְׁתַּיִם בִּכְנִיסָתוֹ, וּשְׁתַּיִם בִּיצִיאָתוֹ. נוֹתֵן הוֹדָאָה עַל שֶׁעָבַר וְצוֹעֵק עַל הֶעָתִיד.
Os Sábios também disseram: Aquele que entra em uma cidade grande, a Guemará explica abaixo que isso se refere a um caso em que entrar na cidade é perigoso, recita duas preces: Uma ao entrar, para que entre em paz, e uma ao sair, para que saia em paz. Ben Azzai diz: Ele recita quatro preces, duas ao entrar e duas ao sair. Além de rezar para que entre e saia em paz, ele dá graças pelo passado e clama em oração pelo futuro.
חַיָּיב אָדָם לְבָרֵךְ עַל הָרָעָה כְּשֵׁם שֶׁמְּבָרֵךְ עַל הַטּוֹבָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְאָהַבְתָּ אֵת ה׳ אֱלֹהֶיךָ בְּכׇל לְבָבְךָ וְגוֹ׳״. ״בְּכָל לְבָבְךָ״ — בִּשְׁנֵי יְצָרֶיךָ, בְּיֵצֶר טוֹב וּבְיֵצֶר הָרָע. ״וּבְכׇל נַפְשְׁךָ״ — אֲפִילּוּ הוּא נוֹטֵל אֶת נַפְשְׁךָ. ״וּבְכׇל מְאֹדֶךָ״ — בְּכָל מָמוֹנְךָ. דָּבָר אַחֵר: ״בְּכָל מְאֹדֶךָ״ — בְּכָל מִדָּה וּמִדָּה שֶׁהוּא מוֹדֵד לְךָ הֱוֵי מוֹדֶה לוֹ.
A mishná articula um princípio geral: A pessoa é obrigada a recitar uma bênção pelo mal que lhe sobrevém assim como recita uma bênção pelo bem que lhe sobrevém, como está declarado: “E amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e com toda a tua força” (Deuteronômio 6:5). A mishná explica este versículo da seguinte forma: “De todo o teu coração” significa com as tuas duas inclinações, com a tua boa inclinação e a tua má inclinação, ambas devendo ser submetidas ao amor de Deus. “De toda a tua alma” significa mesmo que Deus tome a tua alma. “E com toda a tua força” significa com todo o teu dinheiro, pois o dinheiro é referido na Torah como força. Alternativamente, pode-se explicar que “com toda a tua força” significa com toda medida que Ele te concede; seja boa ou difícil, agradece-Lhe.
לֹא יָקֵל אָדָם אֶת רֹאשׁוֹ כְּנֶגֶד שַׁעַר הַמִּזְרָח שֶׁהוּא מְכוּוָּן כְּנֶגֶד בֵּית קׇדְשֵׁי הַקֳּדָשִׁים. וְלֹא יִכָּנֵס לְהַר הַבַּיִת בְּמַקְלוֹ, וּבְמִנְעָלוֹ, וּבְפוּנְדָּתוֹ, וּבְאָבָק שֶׁעַל רַגְלָיו. וְלָא יַעֲשֶׂנּוּ קַפַּנְדַּרְיָא. וּרְקִיקָה — מִקַּל וָחוֹמֶר.
A mishná ensina várias halakhot relacionadas ao Templo. Não se deve agir com irreverência nem comportar-se com leviandade diante do portão oriental do Monte do Templo, que está alinhado em frente ao Santo dos Santos. Em deferência ao Templo, não se pode entrar no Monte do Templo com seu cajado, seus sapatos, seu cinto de dinheiro [punda], ou mesmo com o pó em seus pés. Não se deve fazer do Templo um atalho para passar por ele, e por uma inferência a fortiori, com ainda mais razão não se pode cuspir no Monte do Templo.
כׇּל חוֹתְמֵי בְּרָכוֹת שֶׁבַּמִּקְדָּשׁ הָיוּ אוֹמְרִים ״עַד הָעוֹלָם״. מִשֶּׁקִּלְקְלוּ הַמִּינִין וְאָמְרוּ אֵין עוֹלָם אֶלָּא אֶחָד, הִתְקִינוּ שֶׁיְּהוּ אוֹמְרִים ״מִן הָעוֹלָם וְעַד הָעוֹלָם״.
A mishná relata: Ao final de todas as bênçãos recitadas no Templo, aqueles que recitavam a bênção diziam: Bendito és Tu, Senhor, Deus de Israel, até a eternidade [haolam], o mundo. Mas quando os saduceus se desviaram e declararam que há apenas um mundo e não há Mundo Vindouro, os Sábios instituíram que ao final da bênção se recita: Da eternidade [haolam] à eternidade [haolam].
וְהִתְקִינוּ שֶׁיְּהֵא אָדָם שׁוֹאֵל אֶת שְׁלוֹם חֲבֵרוֹ בַּשֵּׁם, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְהִנֵּה בֹעַז בָּא מִבֵּית לֶחֶם וַיֹּאמֶר לַקּוֹצְרִים ה׳ עִמָּכֶם וַיֹּאמְרוּ לוֹ יְבָרֶכְךָ ה׳״. וְאוֹמֵר: ״ה׳ עִמְּךָ גִּבּוֹר הֶחָיִל״. וְאוֹמֵר: ״אַל תָּבוּז כִּי זָקְנָה אִמֶּךָ״. וְאוֹמֵר: ״עֵת לַעֲשׂוֹת לַה׳ הֵפֵרוּ תּוֹרָתֶךָ״. רַבִּי נָתָן אוֹמֵר: ״הֵפֵרוּ תּוֹרָתֶךָ״ מִשּׁוּם ״עֵת לַעֲשׂוֹת לַה׳״.
Os Sábios também instituíram que se deve cumprimentar outra pessoa em nome de Deus, isto é, deve-se mencionar o nome de Deus na saudação, como está dito: “E eis que Boaz veio de Belém e disse aos ceifeiros: O Senhor esteja convosco; e eles lhe disseram: O Senhor te abençoe” (Rute 2:4). E diz: “E o anjo de Deus lhe apareceu e lhe disse: O Senhor está contigo, homem valente” (Juízes 6:12). E diz: “E não desprezes tua mãe quando ela envelhecer” (Provérbios 23:22), isto é, não se deve negligenciar costumes que se herdam. E para que não digas que mencionar o nome de Deus é proibido, diz: “É tempo de agir pelo Senhor; eles anularam a Tua Torah” (Salmos 119:126), isto é, ocasionalmente é necessário anular preceitos bíblicos para cumprir a vontade de Deus, e cumprimentar outra pessoa certamente é a vontade de Deus. Rabi Natan diz outra interpretação do versículo: “Anularam a Tua Torah” porque “é tempo de agir pelo Senhor”, isto é, ocasionalmente é necessário anular preceitos bíblicos para fortalecer a Torah.
גְּמָ׳ מְנָא הָנֵי מִילֵּי? אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן, דְּאָמַר קְרָא: ״וַיֹּאמֶר יִתְרוֹ בָּרוּךְ ה׳ אֲשֶׁר הִצִּיל וְגוֹ׳״.
GEMARA: Com relação à obrigação de recitar uma bênção por um milagre, a Gemara pergunta: De onde são derivadas essas questões? Rabi Yoḥanan disse: Como o versículo declara: “E Jetro disse: Bendito seja o Senhor, que livrou vocês da mão dos egípcios e da mão do Faraó; que livrou o povo de debaixo da mão dos egípcios” (Êxodo 18:10); recita-se uma bênção por um milagre.
אַנִּיסָּא דְרַבִּים מְבָרְכִינַן, אַנִּיסָּא דְיָחִיד לָא מְבָרְכִינַן?! וְהָא הָהוּא גַּבְרָא דַּהֲוָה קָא אָזֵיל בַּעֲבַר יַמִּינָא. נְפַל עֲלֵיהּ אַרְיָא, אִתְעֲבִיד לֵיהּ נִיסָּא וְאִיתַּצַּל מִינֵּיהּ. אֲתָא לְקַמֵּיהּ דְּרָבָא, וַאֲמַר לֵיהּ: כׇּל אִימַּת דְּמָטֵית לְהָתָם — בָּרֵיךְ ״בָּרוּךְ שֶׁעָשָׂה לִי נֵס בַּמָּקוֹם הַזֶּה״.
A Guemará pergunta: Por um milagre que ocorre para as multidões recitamos uma bênção, mas por um milagre que acontece a um indivíduo não recitamos uma bênção? Não houve um incidente em que certo homem caminhava pelo lado direito do rio Eufrates quando um leão o atacou, um milagre foi realizado para ele, e ele foi salvo? Ele compareceu diante de Rava, que lhe disse: Toda vez que você chegar lá, ao local do milagre, recite a bênção: “Bendito... Que realizou um milagre para mim neste lugar.”
וּמָר בְּרֵיהּ דְּרָבִינָא הֲוָה קָאָזֵיל בְּפַקְתָּא דַעֲרָבוֹת וּצְחָא לְמַיָּא. אִתְעֲבִיד לֵיהּ נִיסָּא, אִיבְּרִי לֵיהּ עֵינָא דְמַיָּא, וְאִישְׁתִּי.
E certa vez, quando Mar, filho de Ravina, caminhava em um vale de salgueiros e estava com sede de água, um milagre foi realizado para ele e uma fonte de água foi criada para ele, e ele bebeu.
וְתוּ, זִמְנָא חֲדָא הֲוָה קָאָזֵיל בְּרַסְתְּקָא דְמָחוֹזָא וּנְפַל עֲלֵיהּ גַּמְלָא פְּרִיצָא. אִיתְפָּרַקָא לֵיהּ אָשִׁיתָא, עָל לְגַוַּהּ. כִּי מְטָא לַעֲרָבוֹת בָּרֵיךְ: ״בָּרוּךְ … שֶׁעָשָׂה לִי נֵס בַּעֲרָבוֹת וּבְגָמָל״. כִּי מְטָא לְרַסְתְּקָא דְמָחוֹזָא בָּרֵיךְ: ״בָּרוּךְ … שֶׁעָשָׂה לִי נֵס בְּגָמָל וּבַעֲרָבוֹת״! אָמְרִי: אַנִּיסָּא דְרַבִּים — כּוּלֵּי עָלְמָא מִיחַיְּיבִי לְבָרוֹכֵי, אַנִּיסָּא דְיָחִיד — אִיהוּ חַיָּיב לְבָרוֹכֵי.
Além disso, certa vez quando Mar, filho de Ravina, estava andando no mercado [risteka] de Meḥoza e um camelo selvagem [gamla peritza] o atacou. A parede se abriu com uma rachadura, ele entrou nela, e foi salvo. Desde então, quando chegava aos salgueiros, recitava: Bendito…Que realizou um milagre para mim nos salgueiros e com o camelo. E, quando chegava ao mercado de Meḥoza, recitava: Bendito…Que realizou um milagre para mim com o camelo e nos salgueiros, indicando que se recita uma bênção até mesmo por um milagre que ocorre a um indivíduo. Os Sábios dizem: Por um milagre realizado em favor das multidões, todos são obrigados a recitar uma bênção; por um milagre realizado em favor de um indivíduo, apenas o próprio indivíduo é obrigado a recitar uma bênção.
תָּנוּ רַבָּנַן: הָרוֹאֶה מַעְבְּרוֹת הַיָּם, וּמַעְבְּרוֹת הַיַּרְדֵּן, מַעְבְּרוֹת נַחֲלֵי אַרְנוֹן, אַבְנֵי אֶלְגָּבִישׁ בְּמוֹרַד בֵּית חוֹרוֹן, וְאֶבֶן שֶׁבִּקֵּשׁ לִזְרוֹק עוֹג מֶלֶךְ הַבָּשָׁן עַל יִשְׂרָאֵל, וְאֶבֶן שֶׁיָּשַׁב עָלֶיהָ מֹשֶׁה בְּשָׁעָה שֶׁעָשָׂה יְהוֹשֻׁעַ מִלְחָמָה בַּעֲמָלֵק, וְאִשְׁתּוֹ שֶׁל לוֹט, וְחוֹמַת יְרִיחוֹ שֶׁנִּבְלְעָה בִּמְקוֹמָהּ — עַל כּוּלָּן צָרִיךְ שֶׁיִּתֵּן הוֹדָאָה וָשֶׁבַח לִפְנֵי הַמָּקוֹם.
Os Sábios ensinaram em uma baraita uma lista de lugares onde se é obrigado a recitar uma bênção devido aos milagres que foram realizados ali: Aquele que vê as travessias do Mar Vermelho, por onde Israel atravessou; e as travessias do Jordão; e as travessias dos riachos de Arnon; as pedras de granizo de Elgavish na descida de Beit Ḥoron; a rocha que Og, rei de Bashan, procurou lançar sobre Israel; e a rocha sobre a qual Moisés se sentou quando Josué travou guerra contra Amaleque; e a mulher de Ló; e a muralha de Jericó que foi engolida em seu lugar. Por todos esses milagres deve-se dar graças e oferecer louvor diante de Deus.
בִּשְׁלָמָא מַעְבְּרוֹת הַיָּם, דִּכְתִיב: ״וַיָּבֹאוּ בְנֵי יִשְׂרָאֵל בְּתוֹךְ הַיָּם בַּיַּבָּשָׁה״. מַעְבְּרוֹת הַיַּרְדֵּן, דִּכְתִיב: ״וַיַּעַמְדוּ הַכֹּהֲנִים נֹשְׂאֵי הָאָרוֹן בְּרִית ה׳ בֶּחָרָבָה בְּתוֹךְ הַיַּרְדֵּן הָכֵן וְכׇל יִשְׂרָאֵל עֹבְרִים בֶּחָרָבָה עַד אֲשֶׁר תַּמּוּ כׇּל הַגּוֹי לַעֲבוֹר אֶת הַיַּרְדֵּן״.
A Guemará elabora: É evidente, os milagres nas travessias do mar estão registrados explicitamente na Torah, como está declarado: “E os israelitas entraram pelo meio do mar em terra seca e as águas lhes eram como muro à direita e à esquerda” (Êxodo 14:22). Da mesma forma, o milagre nas travessias do Jordão, como está declarado: “Os sacerdotes que levavam a arca da aliança de Deus pararam em terra seca no meio do Jordão, enquanto todo o Israel atravessava em terra seca, até que toda a nação terminou de atravessar o Jordão” (Josué 3:17).
אֶלָּא מַעְבְּרוֹת נַחֲלֵי אַרְנוֹן מְנָלַן? — דִּכְתִיב: ״עַל כֵּן יֵאָמַר בְּסֵפֶר מִלְחֲמֹת ה׳ אֶת וָהֵב בְּסוּפָה וְגוֹ׳״. תָּנָא: ״אֶת וָהֵב בְּסוּפָה״ — שְׁנֵי מְצוֹרָעִים הָיוּ, דַּהֲווֹ מְהַלְּכִין בְּסוֹף מַחֲנֵה יִשְׂרָאֵל. כִּי הֲווֹ קָא חָלְפִי יִשְׂרָאֵל אֲתוֹ אֱמוֹרָאֵי
No entanto, de onde derivamos o milagre que ocorreu na travessia dos riachos de Arnon? Como está declarado: “Por isso se diz no Livro das Guerras do Senhor: Vahev em Sufa, e os vales de Arnon. E a encosta dos vales que se inclina para a morada de Ar, e se apoia na fronteira de Moabe” (Números 21:14–15). Foi ensinado: “Vahev em Sufa”; havia dois leprosos, um chamado Et e o segundo chamado Hev, que caminhavam na retaguarda do acampamento de Israel. Quando Israel passou, os amorreus vieram